Falta de cuidado com rede elétrica da casa aumenta chance de acidentes

Pesquisa mostra que quase metade das casas brasileiras não tem projeto elétrico

O Brasil teve 236 mortes por descarga elétrica dentro de casa em entre janeiro de 2016 e março de 2017. O dado evidencia a precariedade de muitas residências quando o assunto é manutenção. Pesquisa feita pelo Procobre (Instituto Brasileiro do Cobre) e divulgada nesta quinta-feira (4), revela que quase metade das casas brasileiras (45%) não possui projeto elétrico. Em outros 26% dos imóveis, os donos não sabem ou não lembram se já o fizeram. O diretor-adjunto da Procobre Antonio Maschietto explica que o fato de apenas 29% das casas possuírem projeto elétrico mostra que a maior parte dos imóveis, até mesmo os novos, podem ter algum problema.

“Pode ser que desde o início um projeto elétrico já esteja com risco iminente”, diz.

Maschietto ainda dá dicas para perceber se a sua casa tem algum problema na parte elétrica.

“O clássico é na cozinha, quando você liga, por exemplo, o micro-ondas e a máquina de lavar roupa. Se cair o disjuntor, é porque você está tendo uma carga além do que o sistema suporta. Possivelmente vai precisar trocar o cabo elétrico”, acrescenta.

Outros sinais de que algo não está bem é quando há tomadas chamuscadas, lâmpadas que piscam muito ou queimam com frequência.

A Procobre alerta que o projeto elétrico não deve ser feito por pedreiros ou eletricistas.

“O eletricista faz a correção do problema e a instalação, mas ele não está habilitado a fazer o projeto elétrico. O ideal em qualquer reforma ou obra é que haja sempre um engenheiro elétrico”, explica o diretor-adjunto.

Presente em 87% das residências, o chuveiro elétrico pode ser fatal se não estiver instalado corretamente.

“É proibido instalar tomada no chuveiro. Isso é muito comum, mas as pessoas continuam fazendo. As tomadas não vão atender à potência do chuveiro. Certamente você vai ter um aquecimento [da tomada]”, diz Edson Martinho, diretor-executivo da Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade). O levantamento mostra que 8% das casas têm chuveiro com tomada. Esses aparelhos devem ser ligados por conexões ou emendas diretas. Benjamin, T ou extensão são itens presentes em praticamente todas as casas brasileiras. Mas eles também exigem cuidado. A pesquisa da Procobre mostrou que 46% da população admite que o número de tomadas na casa é insuficiente. Mais da metade usa esse dipositivo para ligar dois ou mais equipamentos à mesma tomada.

Fonte:

Falta de cuidado

Choque elétrico mata em média dois brasileiros por dia

Em 15 meses, associação registrou 236 mortes por descarga elétrica somente dentro de casa

Números divulgados nesta quinta-feira (4) pela Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade) alertam para os riscos que as famílias brasileiras têm dentro de casa. Em 15 meses (janeiro de 2016 a março de 2017), o País teve 782 mortes relacionadas à eletricidade (choque, raios e incêndios por curto-circuito). Isso representa uma média de duas mortes por dia nesse período. Desse total, 236 mortes (30%) ocorreram dentro de casa. Ou seja, um caso a cada dois dias, em média. Muitos dos choques fatais também ocorrem por pessoas que fazem obras próximas à rede elétrica ou que tentam fazer ligações clandestinas em postes, por exemplo. Levando em conta apenas o ano de 2016 (com 592 mortes), o aumento dos acidentes de origem elétrica foi de 5,7% maior em relação ao ano anterior, totalizando 1.319 casos. O Nordeste foi a região que mais teve casos: 271; seguido do Sudeste, com 116; e do Sul, com 109. Em mais de 10% das mortes por choque — incluindo dentro de casa — em 2016, as vítimas tinham entre 0 e 15 anos.

“A garotada de hoje em dia nasceu tecnológica, é o dia inteiro com tablet, computador, videogame na mão, põe tomada, tira tomada. Se não tiver o dispositivo correto, a chance [de choque] é gigante”, diz Edson Martinho, diretor-executivo da Abracopel.

Ele observa a necessidade de atenção para o uso de benjamins, T ou filtros de linha.

“Trata-se de um dispositivo derivador técnico provisório. O problema desses dispositivos não são eles, é como se usa. Uma tomada tem um limite para ser usada”, diz.

Martinho explica que uma tomada comum em São Paulo suporta cerca de 1.000 watts. Ou seja, ligar equipamentos que consomem muita energia, como uma geladeira e um micro-ondas na mesma tomada podem colocar a corrente elétrica em risco.

Fonte: Acidentes com choque elétrico